Glossário
Header shadow

Espécies apadrinhadas

Figueira-vermelha Ficus clusifolia Schott

Família: Moraceae, a família dos figos, da jaca e da amora.

Outros nomes: figueira-mata-pau.
 
Distribuição Geográfica: A figueira-vermelha é uma espécie nativa e endêmica do Brasil que ocorre na Mata Atlântica e nas restingas. Pode ser encontrada em poucos Estados: PE, BA, ES, MG, GO e RJ.
 
Características: Árvore de 7 a 18m de altura, com tronco não muito grosso e que pode ser bastante ramificado. Geralmente a casca é lisa e de cor cinza-claro. Todas as partes da árvore possuem látex, um líquido semelhante a um leite que escorre das áreas feridas do tronco e de onde folhas foram arrancadas.  A copa dessa figueira pode ser bastante ampla e com muitas folhas. As folhas são simples, brilhosas, com a ponta arredondada e com uma nervura grossa destacada no centro. Ela também possui uma pequena folha protegendo a ponta dos ramos.  As inflorescências são bem diferentes e possuem flores pequenas e viradas para o lado de dentro de uma estrutura circular e fechada que conhecemos como figo. Os frutos são os mesmos figos que amadurecem depois que as flores em seu interior são polinizadas. A cor dos frutos pode variar de amarelo a vermelho.
 
Usos
Alimentação: Os figos dessa espécie, apesar de comestíveis, são diferentes daqueles que encontramos nos mercados e não são apreciados.
Madeira: A madeira é leve e de baixa durabilidade.  
Uso medicinal: Outras espécies de figueiras são muito utilizadas como remédios, mas não existe nenhum estudo que comprove a utilização dessa espécie em tratamentos medicinais.
Outros usos: Pelo tamanho mediano é adequada para arborização urbana e de parques. Suas raízes podem ser utilizadas para fazer cordas improvisadas.
 
Curiosidades: No Rio de Janeiro, é comum encontrar esse tipo de figueira crescendo em frestas de muros de pedras. Hoje, grande parte dos locais onde ela existia naturalmente, não possuem mais vegetação. Contudo, uma grande figueira-vermelha que existe no Bairro do Leme é tombada pela Secretaria Municipal de Cultura do Rio de Janeiro por servir de proteção e alimento para cerca de 43 espécies de aves, segundo algumas observações. Essa espécie também é conhecida por “estrangular” outras árvores, da mesma forma que outras figueiras fazem. Isso pode acontecer caso sua semente comece a germinar sobre outra árvore. A figueira-vermelha então cresce e quando suas raízes alcançam o solo ela começa a engrossar e se desenvolver até matar e tomar o lugar daquela que serviu de suporte, atingindo então a mesma altura que esta, só que sem tanto custo.
O Dr. Pedro Carauta do Museu Nacional do Rio de Janeiro é um grande estudioso das figueiras e as considera como um ecossistema vivo. Sobre elas vivem dezenas de espécies de plantas (orquídeas, bromélias, cactos etc.) e de animais (insetos, aves, mamíferos etc.). Além disso, em todos os diversos habitats que elas fornecem como as raízes, as fissuras no tronco, a copa e os figos, há algum tipo de vida em grande interação. Experimente passar alguns minutos observando detalhadamente uma figueira!
 
Informações Ecológicas: É uma planta pioneira indicada para reflorestamentos, pois seus figos são muito procurados por aves e macacos, o que ajuda na recuperação de áreas degradadas. Por possuir raízes muito longas e superficiais, que formam um emaranhado, pode ser utilizada visando a contenção de encostas para evitar deslizamentos. O desenvolvimento das mudas é bastante rápido após o plantio definitivo e ela pode atingir mais de 2 metros de altura em 2 anos. Isso é bastante importante, visto que em pouco tempo ela proporciona sombra para as mudas de espécies secundárias (que precisam de ambiente mais sombreado) nos reflorestamentos.
 
Floração: De março a maio. A polinização é feita por pequenas vespas que têm uma relação muito especial e específica com as figueiras, pois uma espécie não se reproduz sem a outra. 
 
Frutificação: Ocorre nos meses de junho e julho. Quando está carregada de figos maduros, ela apresenta uma linda cor avermelhada, daí o nome figueira-vermelha. 
 
Referências:
CARAUTA, J.P.P. 1989. Ficus (Moraceae) no Brasil: Conservação e taxonomia. Albertoa 2: 69-73. 
CARAUTA, J.P.P. & DIAZ, B.E. Figueiras no Brasil. Rio de Janeiro, RJ: Editora UFRJ, 2002.
LORENZI, H. Árvores Brasileiras: manual de identificação e cultivo de plantas arbóreas do Brasil, vol. 3. Nova Odessa, SP: Instituto Plantarum, 2009.
ROMANIUC NETO, S., CARAUTA, J.P.P., VIANNA FILHO, M.D.M., PEREIRA, R.A.S., RIBEIRO, J.E.L.S., MACHADO, A.F.P., SANTOS, A., PELISSARI, G., PEDERNEIRAS, L.C. 2012. Moraceae. In: Lista de Espécies da Flora do Brasil. Jardim Botânico do Rio de Janeiro. Disponível em: <http://floradobrasil.jbrj.gov.br/2012/FB010157>. Acesso em: 02 mai 2012.
 
 
* O uso de qualquer planta medicinal deve ser indicado e ministrado por médico ou pessoa capacitada que conheça seguramente a espécie envolvida, seus usos e contra-indicações. Este conteúdo visa apenas informar as utilizações mais comuns das espécies citadas, e desaconselhamos qualquer tipo de automedicação, pois o uso de indevido de algumas plantas pode trazer sérios riscos a vida.
Hr bg